Por que adotar um calendário sanitário em sistemas de terminação?

Por que adotar um calendário sanitário em sistemas de terminação?
quinta-feira, Outubro 15, 2020 - 10:15

Título

Por que adotar um calendário sanitário em sistemas de terminação?

Avaliar a eficiência no processo produtivo é um ponto fundamental para a manutenção de qualquer atividade pecuária, sendo que análises e estudos com a finalidade de determinar o custo e a rentabilidade desses sistemas proporcionam aos produtores subsídios para a tomada de decisão.

A análise econômica da atividade, principalmente em gado de corte, é importante, pois o produtor passa a conhecer, com detalhes, os fatores de produção: preço da terra, capital investido e custo da mão de obra. A partir de informações dessa natureza, identificam-se pontos de estrangulamento (entre eles a sanidade), que permitem concentrar esforços gerenciais e tecnológicos para se obter sucesso na atividade e atingir os objetivos de minimização de custos e perdas, e de maximização de lucros.

O confinamento de bovinos enquanto ferramenta produtiva

O confinamento é um sistema de criação de bovinos que tem como principal característica o fornecimento de alimentos via cocho, com controle total sobre a oferta e o consumo da alimentação. As principais vantagens são: redução da idade de abate, aumento do desfrute, reduzindo a ociosidade dos frigoríficos na entressafra, maior giro de capital, melhor aproveitamento das áreas de pastagem para outras categorias animais, tais como as vacas de cria, além da produção de adubo orgânico.

Manejos pré-confinamento

Imediatamente, antes do início do confinamento, cada animal deverá receber vários produtos que compõem um calendário sanitário, como, por exemplo, a vermifugação, havendo um custo aproximado com vermífugo de R$ 0,80 por animal.

Com o objetivo de amenizar o estresse que os animais podem sofrer ou ter sofrido no transporte e nas mudanças no sistema de criação, no manejo pré-confinamento, são necessárias algumas medidas:

  1. Descarregue os animais imediatamente após a chegada.

  • Evitar ao máximo o estresse e traumas, pois é comum a ocorrência de lesões durante o descarregamento! Por isso, é necessário muita atenção e cuidado.
  1. Observe e aparte animais mórbidos ou com sinais de doença.

  • Os animais doentes devem ser separados e enviados para receberem os cuidados necessários.
  1. Medição da temperatura corporal.

  • Se a temperatura corporal for medida imediatamente após o descarregamento, pode indicar um estado febril, mas, na realidade, isso acontece devido ao aumento da temperatura durante o transporte. Espere um tempo para usar essa ferramenta de controle sanitário
  1. Evite misturar lotes.

  • Isso vale para origens dos animais e cargas diferentes.
  1. Permita que os animais descansem antes do processamento.

  • Extremamente importante, pois, como os animais chegam estressados pelo transporte e pela mudança ambiental, o sistema imunológico estará deprimido e o processamento, que inclui administração de vacinas e vermífugos,  necessitará de interação do sistema imune. 
  • De acordo com dados científicos americanos, 67% dos consultores informaram que deixam os animais descansarem entre 12 e 24 horas antes do processamento. E outros 29% afirmaram utilizar mais de 24 horas de descanso antes de enviar o animal para processamento. Essa medida permite que o nível de estresse diminua, pois, na chegada, os animais apresentam o cortisol (hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais) elevado. Assim, ele não cumpre sua função de ajudar o organismo a controlar o estresse e reduzir inflamações. Além disso, altos níveis de cortisol contribuem para deprimir o sistema imune e desregular os níveis de açúcar no sangue, bem como a pressão arterial.
  1. Forneça água e forragem fresca de boa qualidade

  • Novamente, no estudo americano, 64% dos consultores fornecem feno nos primeiros 4 dias após a chegada dos animais.Alguns chegam a fornecer feno à vontade por até 14 dias. Na prática, o mais comum são 3 dias de feno ou forragem fresca à vontade antes de entrar no período de adaptação de dietas com alto teor de concentrado. 
  • Quando o bovino é recria da  própria fazenda, a situação é mais tranquila e o grau de estresse é muito menor. Nesse caso, não há necessidade de descanso, indo direto do pasto para o confinamento. No entanto, mesmo assim, é importante que, uma vez processados, separados e alojados nas baias de confinamento, os animais recebam volumoso de qualidade no primeiro dia, caso não estejam adaptados a consumir alimentos no cocho.

Manejo sanitário

Controle de endoparasitas - vermifugação

  • A utilização de um endoparasiticida de amplo espectro é indicação primordial do calendário sanitário. A recomendação é o uso do Fosfato de Levamisol concentrado, Biopersol Forte MV, na dose de 1mL/50kg de peso vivo (P.V.), princípio ativo larvicida e adulticida com amplo espectro de ação e com atividade imune estimulante, sendo um vermífugo de mais rápida ação de todos os endoparasiticidas, eliminando todos os vermes sensíveis em 30 minutos. Carência de somente 7 dias para abate.

Controle de ectoparasitas

  • Devemos utilizar um produto “pour-on”, de amplo espectro, principalmente para controle de moscas e carrapatos, e com baixo período de carência. Um dos produtos mais seguros do mercado é o Aciendel Plus pour-on, que possui somente 2 dias de carência para abate.

Vacinas

  • No calendário, devemos incluir as vacinas de indicação oficial: aftosa e raiva, mas não podemos nos esquecer das produtivas virais: IBR-1 e 5, BVD 1 e 2 (Biopoligen HS), botulismo (Botulinogen) e clostridioses (Policlostrigen) e para prevenção de doenças respiratórias virais e bacterianas (Biopoligen HS).
  • As doenças respiratórias são apontadas, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, como problema sanitário número 1 em confinamentos. São doenças de alta morbidade, cujos animais com problemas respiratórios apresentam, ao final do confinamento, menor peso de carcaça quente. Esses animais não somente produzem menos, como também apresentam pior qualidade da carcaça, devido ao menor grau de marmoreio.
  • Quanto mais se intensifica o sistema de produção e se aumenta as distâncias de transporte dos animais, mais se acentuam os problemas sanitários, aumentando o grau de risco. Além disso, quanto maior a unidade de confinamento, maior a prevalência de problemas respiratórios.

Pesagem dos animais

  • Deve-se ter um protocolo similar na pesagem inicial, intermediário (quando necessário) e final, em termos de horário e enchimento do trato digestivo, para que se possa ter uma estimativa confiável do ganho de peso desse animal. O jejum prévio de 12 horas é indicado.

Aparte dos lotes

  • O ideal é ter lotes uniformes em termos de idade, sexo, raça, peso, origem e escore de condição corporal (ECC). Isso pode resultar em menor interação agressiva entre os animais, além de lotes uniformes no embarque e abate, fator muito importante nos sistemas de pagamento por qualidade.

Tamanho dos lotes

  • Procure trabalhar com lotes de 100 a 150 cabeças. Lotes maiores criam subgrupos, com consequentes disputas entres os animais.

Considerações finais 

O preço do boi magro aparece como principal custo variável com a maior participação no custo operacional total (COT). Ao analisar a rentabilidade da pecuária em condições de confinamento, observa-se que a aquisição de animais representa 68,40% do total das despesas operacionais efetivas. Considerando a importância do custo de aquisição do boi magro no COT, fica evidente que qualquer alteração no seu preço pode afetar diretamente os resultados.

Portanto, o sucesso de um projeto de confinamento está atrelado ao preço de compra do boi magro, ao seu potencial de ganho de peso e à qualidade física e sanitária do animal. Hoje, o custo econômico do manejo sanitário com 1 dose de vermífugo, 1 dose de “pour-on”, 1 dose de vacina de aftosa, 1 dose de vacina de raiva, 1 a 2 doses de vacina de botulismo, 1 a 2 doses de vacina de clostridiose e 1 a 2 doses de vacina respiratória não representa 0,6% do custo total do investimento.

Para o modelo de terminação de bovinos de corte proposto, mostra-se economicamente viável a adoção de um calendário sanitário, levando em consideração os eventuais problemas gerados em função da não adoção desse protocolo, considerando, principalmente, que os índices zootécnicos, ganho de peso e rendimento de carcaça são influenciados diretamente pela sanidade e têm impacto direto na rentabilidade do sistema

Departamento de Serviços Técnicos

Biogénesis Bagó Saúde Animal