Tópico 1 – Você sabe a diferença entre carne vermelha in natura e carne vermelha processada?
Tópico 2 – Você conhece a diferença em relação ao percentual de gordura entre os cortes de carne vermelha?
Tópico 3 – Quais os benefícios da carne vermelha para sua saúde!
Primeiro: de qual carne vermelha nós estamos falando? É importante destacar que existem diversos tipos de corte (p. ex., patinho, coxão mole, coxão duro, file mignon etc.). A diferença entre esses tipos de corte está, principalmente, na quantidade de gordura. Além disso, avaliando a literatura científica, a carne vermelha processada (p. ex., bacon, presunto, salsichas, salame, carne enlatada) sempre gera efeitos piores comparativamente à carne vermelha não processada (in natura; carne bovina, vitela, cordeiro, carneiro, porco, cabra). Isso reforça a necessidade de preferir a carne vermelha não processada e, sempre que possível, variar as origens.
Assim, preferir os cortes mais magros e não processados pode ser uma maneira de você manter a carne vermelha no seu prato com mais frequência, isso porque muitos problemas relacionados com a carne vermelha, ocorrem pelo consumo excessivo da gordura saturada.

A gordura saturada aumenta o colesterol (LDL-c) conhecido como o “colesterol ruim”, que aumenta a formação de placas de gordura nos nossos vasos. O que significa isso? É como se nas nossas artérias houvesse um grande congestionamento,impedido que o sangue chegue no seu destino, causando a morte dos tecidos do corpo que são irrigados por estes vasos sanguíneos
Segundo: como foi o preparo da carne vermelha? Preparações cozidas, assadas e grelhadas são sempre mais recomendadas do que fritas e empanadas. Logo, atente-se também à maneira de preparo.
Terceiro: Qual a quantidade você ingere? Não é simples definir o tamanho da porção, mas, quantidades de aproximadamente 100 g/dia (considerando uma porção crua) parecem ser adequadas. Além disso, sugere-se limitar o consumo para 2 – 3 vezes por semana.
Por que existe tanta preocupação com a carne vermelha?

Vamos à ciência: um estudo científico publicado na revista JAMA (Zhong etal., 2020), reconhecida por publicações de alta qualidade, mostrou que o consumo elevado de carne vermelha in natura aumentou em apenas 3 % o risco de doenças cardiovasculares. Apesar do estudo chamar atenção para o consumo de carne vermelha, alguns detalhes são importantes. Um deles, é que o estudo não conseguiu separar o tipo de preparação da carne vermelha, por exemplo, não diferiu se era frita, empanada, assada ou grelhada. Outro problema é que o estudo foi feito apenas com pessoas dos Estados Unidos, cujo padrão alimentar é pior comparativamente ao padrão alimentar do brasileiro. Apesar dessas limitações do estudo, os resultados são interessantes e nos orientam a consumir moderadamente a carne vermelha.
Outros estudos, no entanto, mostraram resultados contraditórios. Por exemplo, um estudo publicado na Critical Reviews in Food Science and Nutrition não mostrou associação entre o consumo de carne vermelha in natura e casos de acidente vascular cerebral isquêmico ou doença coronariana (de Medeiros et al.,2023). Um estudo bem robusto publicado na revista Lancet sugere que substituir a carne vermelha processada pela in natura ou por aves reduz o risco de diabetes mellitus tipo 2 (Li et al., 2024). Outro estudo robusto publicado na revista Lancet também sugere que reduzir a ingestão de carne vermelha processada promove efeitos positivos (Kennedy, Alexander, Taillie, & Jaacks, 2024)
O que tudo isso significa? Semáforo amarelo. Não há incentivo de comer muita, mas também não há incentivo de excluir a carne vermelha do seu prato. É fundamental, portanto, consumir quantidades adequadas.
Saber separar o Joio do Trigo!
Os estudos científicos avaliam, também, o tamanho do efeito (negativo ou positivo) de acordo com quem consome a carne vermelha. Se você é saudável, o efeito da carne vermelha é pequeno ou inexistente. Por isso, é fundamental estabelecer um estilo de vida saudável, com boa qualidade do sono e adequado nível de atividade física. Se você está acima do peso, é tabagista ou consome bebida alcoólica com mais frequência e apresenta outras doenças metabólicas (p. ex.,diabetes mellitus) a atenção precisa ser maior.
Você não pode olhar apenas para a carne vermelha!

Nenhum alimento sozinho é o causador de doenças. Os efeitos que os alimentos exercem na nossa saúde ocorrem de maneira combinada. Portanto, uma pessoa que consome muita carne vermelha e não consome vegetais apresentará efeitos completamente diferentes de uma pessoa que consome carne vermelha e vegetais adequadamente. Fique atento, e aumente a variedade dos alimentos do seu
prato.
Qual a recomendação atual segundo a literatura científica?
Aves e peixes: preferir;
Carne vermelha in natura: consumir com moderação;
Carne vermelha processada: não consumir ou esporadicamente;
Vegetais, folhas e legumes: sempre.
Referencias
de Medeiros, G., Mesquita, G. X. B., Lima, S., Silva, D. F. O., de Azevedo, K. P. M., Pimenta,
I., . . . Piuvezam, G. (2023). Associations of the consumption of unprocessed red meat
and processed meat with the incidence of cardiovascular disease and mortality, and the
dose-response relationship: A systematic review and meta-analysis of cohort studies. Crit
Rev Food Sci Nutr, 63(27), 8443-8456. doi: 10.1080/10408398.2022.2058461
Kennedy, J., Alexander, P., Taillie, L. S., & Jaacks, L. M. (2024). Estimated effects of reductions
in processed meat consumption and unprocessed red meat consumption on occurrences of
type 2 diabetes, cardiovascular disease, colorectal cancer, and mortality in the USA: a
microsimulation study. Lancet Planet Health, 8(7), e441-e451. doi: 10.1016/S2542-
5196(24)00118-9
Li, C., Bishop, T. R. P., Imamura, F., Sharp, S. J., Pearce, M., Brage, S., . . . Wareham, N. J.
(2024). Meat consumption and incident type 2 diabetes: an individual-participant
federated meta-analysis of 1.97 million adults with 100 000 incident cases from 31
cohorts in 20 countries. Lancet Diabetes Endocrinol, 12(9), 619-630. doi:
10.1016/S2213-8587(24)00179-7
Zhong, V. W., Van Horn, L., Greenland, P., Carnethon, M. R., Ning, H., Wilkins, J. T., . . .
Allen, N. B. (2020). Associations of Processed Meat, Unprocessed Red Meat, Poultry, or
Fish Intake With Incident Cardiovascular Disease and All-Cause Mortality. JAMA Intern
Med, 180(4), 503-512. doi: 10.1001/jamainternmed.2019.6969