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GAFFFF encerra abordando inovação e tecnologia no agro

GAFFFF encerra abordando inovação e tecnologia no agro

01/07/2024

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GAFFFF encerra abordando inovação e tecnologia no agro

O GAFFFF teve sequência nesta sexta-feira (28) para o segundo e último dia de painéis do festival que reuniu painéis com entidades, lideranças e autoridades do agronegócio mundial, além de uma programação diversa de atrações musicais, culturais e de gastronomia.

No primeiro dia do evento, o foco foi o papel do agro na agenda sustentável: acesse aqui para ver o resumo das principais discussões. Leia também abaixo os destaques do segundo dia, que tratou sobre inovação e avanços tecnológicos no agronegócio. Veja a programação completa aqui.

Luciana Costa, diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática do BNDS, destacou os projetos de expansão logística dentro do Brasil, de portos a projetos ferroviários, mas destacando a necessidade dobrar os investimentos em logística, dos atuais 200 bilhões, para 400 bilhões de reias. Sobre os projetos de ferrovia, o CEO Interino da VLI, Fábio Marchiori, destacou a necessidade de investimento de longo prazo para ampliação da malha ferroviária do país, citando um custo médio de 25 milhões de reais por quilômetro de ferrovia construído. O CEO do Grupo Ultra, Marcos Marinho Lutz, trouxe um panorama da evolução da produção brasileira, destacando que não devemos olhar para a produção agrícola como comida ou energia, mas que a expansão do agro para atender demandas energéticas pode também, em momentos de crise, reverter o uso de produtos agrícolas de energia para alimento. Geyze Diniz, co-fundadora do pacto contra a fome, citou estimativas de desperdício de até 30% de alimentos em toda a sua cadeia de produção, destacando a necessidade de mais dados para identificar e combater as ineficiências na produção e consumo de alimentos.

Futuro da Carne no Mercado Mundial

Para Alex Santos Lopes da Silva, Gerente de Estratégia – Compra de Gado LATAM da Minerva Foods, a pecuária está passando por uma revolução devido à competitividade com a agricultura. “Com a maior tecnologia da agricultura, se fez necessário essa transformação,” explica ele. A tecnologia avançada e a especificidade permitem aos players alcançar demandas que antes não existiam, como bois com diferentes níveis de marmoreio e peso. Hoje, o confinamento não é mais opcional, mas sim uma ferramenta fundamental para uma maior rentabilidade da produção, possibilitando vantagem no mercado internacional de carnes. Eduardo Pedroso, Diretor Executivo de Originação da JBS comentou como estamos em curso de uma nova revolução e uma nova intensificação do ciclo de engorda e confinamento. Ele destaca que os Estados Unidos lideram com 25 milhões de cabeças de gado, enquanto o Brasil possui 10 milhões com término intensivo a pasto. Além disso, há uma melhora significativa na genética do bezerro de corte, resultando em ciclos de abate mais curtos e maior rendimento de carcaça. As melhores fazendas estão colhendo os frutos desse melhoramento genético. Já Maurício Manduca, Diretor de Relacionamento com Produtores da Marfrig Global Foods comenta que a transformação na pecuária aumentou a capacidade produtiva do setor, permitindo atender à crescente demanda internacional. “O Brasil tem superado todas as restrições impostas pelo mercado,” afirma ele, destacando o país como um dos maiores produtores de carnes do mundo. João Lucas M. C. Ferreira, Head de Sustentabilidade da Barra Mansa adiciona que em 2019, a China ainda sofria com a PSA, enquanto o Brasil enfrentava o início da pandemia de 2020. “Por ter uma escassez de suíno, a China começou a importar muito, aumentando significativamente o share de carne brasileira,” explica. Ele ressalta a versatilidade do Brasil em se adaptar às demandas de mercado, encontrando outros mercados promissores e economicamente atrativos. Embora a China continue a ter uma alta parcela da demanda global, o mercado está se tornando geograficamente mais diversificado. Por fim, Orlando Henrique Negrão, Diretor de Operações do Grupo Frigol destaca que diversos mercados, como o Oriente Médio e a Ásia, estão se consolidando como destinos importantes para a carne brasileira. “A dependência da China está diminuindo, e as novas habilitações são cruciais para o Brasil se consolidar ainda mais como um nome de renome mundial na produção de carne,” afirma ele. Contudo, alerta como os maiores custos associados ao reposicionamento das marcas e a melhoria da qualidade do produto podem não ser totalmente repassados aos compradores, o que pode representar um desafio para o mercado. Essa série de transformações e adaptações demonstra o compromisso do setor pecuário brasileiro em se manter competitivo e sustentável no mercado global de carnes, garantindo qualidade e eficiência em sua produção.

Agricultura regenerativa

O painel apresentou avanços da agricultura de alta tecnologia e como vem se aprimorando ao longo dos últimos anos. Houve um avanço enorme desde a agricultura intensiva em mão de obra e de baixa produtividade até a “agricultura 6.0” atual, que expande além de todas as tecnologias das revoluções anteriores. A agricultura 6.0 tem o interesse em tornar a agricultura sustentável, através de soluções holísticas e integradas, soluções baseadas na natureza, biológicos, inteligência artificial, economia circular e captura de carbono. Mudanças climáticas já são uma realidade. O setor agro é um dos mais afetados sobre essas mudanças, já que as chuvas e o clima serão afetados. Períodos de secas mais longos, além de um clima mais quente podem ser um problema muito grave para a produção de alimentos. Quando falamos sobre custos ambientais falamos também em custos econômicos. No setor agropecuário 27% da emissão de carbono brasileira provém de agropecuária. Para reverter essa realidade, alguns dos programas que fomentam a agricultura sustentável são o Programa abc/ Rnovagro, Programa Nacional de Recuperação de Pastagens Degradadas, e Programa Nacional de Bioinsumos, onde o Brasil, em específico no consumo de bioinsumos, tem o maior mercado potencial para esse tipo de insumos agrícolas. Para atingir esses objetivos de sustentabilidade se vê necessário uma maior rastreabilidade e monitoramento ambiental.

Tendências macroeconômicas e o agro

Especialistas apresentaram suas visões sobre os cenários econômicos do Brasil, Estados Unidos e China, destacando os impactos para o setor agropecuário. Para o Brasil, Carlos Kawall, Sócio Proprietário da Oriz Partners, destacou a incerteza fiscal, ressaltando a dificuldade do governo em alcançar a meta zero proposta pelo Ministério da Fazenda. Essa incerteza, segundo Kawall, tem corroído as expectativas econômicas, tornando a trajetória da Selic volátil e menos previsível. No entanto, ele observou que, apesar das adversidades macroeconômicas, o agronegócio e outras commodities têm impulsionado a balança comercial do Brasil para o positivo. Reinaldo Grazzie, Sócio da Panamby Capital, apresentou uma visão similar, apontando para o déficit entre receitas e despesas no Brasil. Bruno Serra Fernandes, Gerente de Portfólio da Itaú Asset Management, enfatizou que o Banco Central está sob ataque do governo, afetando a credibilidade das metas de inflação. Esse cenário, segundo Fernandes, tem corroído as expectativas e aumentado o risco, fazendo com que o câmbio se de desvalorize. Ele projeta um câmbio mais próximo de 4 do que de 6 no longo prazo e acredita que o descasamento entre receita e despesa não se manterá no longo prazo. Sobre os Estados Unidos, Reinaldo Grazzie acredita que o país pode ter espaço para reduzir a taxa de juros no futuro. Bruno Serra Fernandes, por sua vez, apresentou uma visão mais otimista. Ele afirmou que a reação foi muito intensa em relação a inflação Americana divulgada na primeiro trimestre. Ainda, reitera que a economia dos EUA é composta 65% por serviços, enquanto os padrões de consumo e sazonalidade de consumo foram fortemente alterados devido à pandemia. Fernandes observou que a inflação nos EUA vem diminuindo ao longo dos anos, mesmo com os juros não se mantendo em níveis muito altos, e vê o ciclo de juros e inflação americana de forma positiva. A China, sendo o principal parceiro comercial do Brasil no agronegócio, foi outro ponto de discussão. Carlos Kawall destacou que a expectativa de crescimento da China é menor do que no passado, mas ela continua a ser uma exportadora de deflação devido ao excesso de capacidade industrial, pressionando os preços para baixo. Reinaldo Grazzie, entretanto, discutiu a formação de dois blocos econômicos distintos, na contramão da globalização, e como isso pode exportar inflação. Ele mencionou que essa dinâmica mundial traz uma demanda potencialmente grande para o agronegócio brasileiro, influenciando positivamente a balança comercial do Brasil. Grazzie concluiu que, como país de commodities, o Brasil deve se dedicar a esse mercado, destacando que a produtividade brasileira se comporta muito bem nesse contexto.

Gestão e Governança no Agronegócio: Perspectivas e Experiências

Rodrigo Penna, CFO da Jalles Machado, destacou no painel a importância da transparência e da governança desde a fundação da empresa em 1987. Ele relatou que a Jalles Machado, uma companhia de capital aberto, sempre manteve balanços auditados, refletindo um compromisso com a transparência para o mercado e investidores. Segundo Penna, essa prática não apenas melhorou a operação e a qualidade da empresa, mas também facilitou o acesso ao crédito e aumentou a autopromoção da companhia. Em 2015, a Jalles Machado realizou seu primeiro CRA público, reforçando que a auditoria e a transparência foram essenciais para reduzir os custos de financiamento ao longo dos anos. Penna enfatizou que uma governança bem estruturada cria um ambiente de confiança com investidores e credores, essencial para a sustentabilidade financeira.

José Diaz, Sócio da Demarest Advogados, destacou a governança como uma ferramenta crucial para mitigar riscos. Ele explicou que uma governança eficaz inclui uma divisão clara de responsabilidades, refletida em um estatuto bem definido e na gestão do equity, para evitar conflitos internos. Além disso, Diaz apontou que o agronegócio brasileiro, embora seja líder em tecnologia e produtividade, enfrenta desafios significativos na comunicação e transparência. Ele afirmou que a má comunicação é uma forma de má governança e que, para o setor ser devidamente reconhecido, é crucial melhorar a transparência e mostrar sua responsabilidade ao mercado. Diaz acredita que uma governança robusta não só melhora a percepção do mercado sobre o setor, mas também fortalece a gestão interna, resultando em operações mais eficientes e seguras.

Flavio Mata, CEO e Sócio-Fundador da Agriconnection, compartilhou uma experiência pessoal que evidenciou a importância da governança. Após a morte inesperada de um sócio, ele buscou a XP para profissionalizar a gestão de sua empresa e implementar práticas de governança. Mata relatou que essa mudança foi um divisor de águas, resultando em uma maior transparência e abertura da empresa ao mercado. A Agriconnection se tornou um caso de sucesso na implementação de governança graças ao apoio da XP. Mata destacou que a maioria das empresas do agronegócio são ecologicamente responsáveis e que a transparência é vital para demonstrar isso ao mercado. Ele apontou que uma boa transparência amplia o acesso ao crédito, permitindo que as empresas não dependam de poucos players, mas tenham uma oferta maior de crédito. Os palestrantes concordaram que a governança é essencial tanto financeiramente quanto gerencialmente para o sucesso e a sustentabilidade do agronegócio. A transparência, a gestão bem definida e a comunicação eficaz são elementos-chave que não apenas mitigam riscos, mas também abrem portas para maiores oportunidades de financiamento. Uma governança robusta cria um ambiente de confiança com investidores e credores, resultando em custos de financiamento mais baixos e acesso a uma gama maior de opções de crédito. Além disso, uma gestão estruturada e transparente fortalece a eficiência operacional e protege as empresas contra imprevistos, garantindo a resiliência e a capacidade de enfrentar desafios futuros.

Bioenergia e Alimentação: Perspectivas de Sustentabilidade no Setor

Michael Schaupp, CEO da Pfeifer & Langen, iniciou sua palestra focando na transformação energética que a empresa busca desenvolver. Ele destacou que, mesmo antes da guerra na Ucrânia, a empresa já trabalhava na transição para fontes de biomassa, com o objetivo de se tornar independente de combustíveis fósseis. Schaupp expressou profunda tristeza em relação ao conflito, exibindo imagens impactantes de fábricas que agora servem como abrigos aéreos. Schaupp também detalhou a estratégia de crescimento sustentável da empresa, que inclui a produção de beterrabas com menos agrotóxicos e a utilização de subprodutos do processo de fabricação de açúcar. O melaço é utilizado como ração animal e para a indústria de fermentação, enquanto a beterraba desidratada e prensada serve como ração. Além disso, o processo extrai mais água da beterraba do que o necessário para produzir açúcar, tornando-o extremamente sustentável. Guilherme Nolasco, Presidente Executivo da UNEM, destacou a singularidade da agricultura tropical no Brasil, que permite uma produtividade elevada. Ele enfatizou que o setor de etanol de milho está ganhando destaque, tornando-se um produto atrativo. Nolasco afirmou que o etanol de milho é parte essencial da agenda de transição energética, competindo com o carro elétrico e oferecendo uma solução promissora para a descarbonização. Nolasco explicou que a sinergia entre o etanol de milho e a cana-de-açúcar oferece flexibilidade à indústria canavieira, permitindo uma produção mais eficiente e sustentável. O etanol de milho está se consolidando como uma solução importante no cenário dos biocombustíveis, liberando a indústria de cana para outras arbitrariedades em sua produção. Tercio Dalla Vecchia, Presidente da Reunion Engenharia, abordou a interligação entre as transformações do milho, da cana e seus resíduos, destacando a utilização desses subprodutos para a alimentação de confinamentos. Ele afirmou que a usina de açúcar é 100% sustentável, utilizando toda a água e energia do próprio processo de produção da cana. Vecchia detalhou um método de produção integrado que combina confinamento, plantio de milho e cana, reforçando a sustentabilidade do processo. Ele ressaltou que essa abordagem pode ser utilizada para alcançar vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, demonstrando como a integração de práticas sustentáveis pode beneficiar tanto o meio ambiente quanto a economia.

Fonte: XP Investimentos – Experts.